Se perguntarmos a
qualquer pessoa o que ela mais quer da vida, garanto que mais da
metade, senão todas, irão dizer, “quero ser feliz”. Mas o que
será felicidade?
O significado de
felicidade é muito particular, pois cada um irá associar essa
condição a algum meio que possa torná-la possível. Algumas
pessoas associam a felicidade ao dinheiro, outras ao poder, a um
cargo importante, ou a um objetivo alcançado.
E embora as conquistas
façam parte da vida, às vezes me dá a impressão de que a
felicidade é sempre o que ainda não se tem.
Buscamos algo todos os
dias, desde o momento que acordamos até a hora de ir dormir. E
frequentemente observamos um descompasso entre o que queremos e o que
podemos. Talvez a felicidade não esteja no fim do caminho, mas em
algum lugar entre o que queremos e o que podemos. Naquele ponto de
possível que tocamos e que dá um certo alívio, a sensação de que
valeu a pena seguir até ali.
Na maioria das vezes não
se tem consciência desse processo, porque o foco está no futuro. Lá
onde achamos que está a felicidade. Só que a felicidade, na
verdade, está bem perto. Está na aceitação de que nem tudo
convém, mas nem tudo nos pode ser privado. Está na compreensão do
limite das outras pessoas, do limite da vida, que traz o imprevisto
pra dentro da nossa biografia. E esquecemos que o imprevisto tem
dois lados, o da decepção e o da surpresa. E qual não é a nossa
surpresa quando nos pegamos felizes por somente ver uma criança
brincar, ou pelo fato de ter a oportunidade de brincar com ela.
As crianças, mestras
nesse assunto da felicidade, parecem dela se distanciar conforme o
adulto apresenta suas inconsistências, mas em alguns minutos têm a
capacidade de reverter esse quadro, e mostrar o quão tênue é a
linha que separa os dois lados, da decepção e da surpresa.
O mundo atual é muito
volúvel, é um mundo cheio de opções para se buscar a felicidade,
tantas que as pessoas se perdem. Se perdem nos exageros, nas
compulsões, na falta de limite, de saber até onde ir. Enche-se o
peito para dizer “eu vou alcançar o impossível”, quando talvez
o “segredo” da felicidade esteja justamente em entender e
diferenciar o possível do impossível, e conviver bem com isso.
Para tal, não há
necessidade de se ter tanto, mas procurar ser. E ainda assim, não
ser melhor do que os outros, mas saber usufruir do que se é. Sem
excessos.
Porque a felicidade
mesmo é composta de momentos felizes, que duram pouco, mas o tempo
necessário para nos fazer estufar o peito, e seguir.
Nenhum comentário:
Postar um comentário